Wednesday, August 20, 2008

"Admitir que a vida é guida pela razão ... é destruir a possibilidade de viver.."

"Meus dias eram mais empolgantes quando eu não tinha nem um tostão"

“não preciso de um milhão para viver”

“Mais que amor, dinheiro, fé, fama, justiça, dê-me verdade.”

Thursday, October 04, 2007

El golpe contra la Venezuela

A Venezuela viveu no ano de 2002 um momento muito importante de sua historia. Um golpe de estado foi executado pelos que divergiam do governo de Hugo Chaves. O mais dos pontos mais interessantes foi o papel da mídia dentro desse contexto. O documentário realizado pela Irlanda mostra o que a imprensa venezuelana não mostrou, ou melhor, não quis mostrar.

A população do pais estava dividida entre os que viviam em condições de pobreza, vivendo em favelas, favoráveis a Chaves, e a elite financeira, grandes empresários, contra o governo vigente. Nas ruas confrontos entre militantes a favor de Chaves, que foram a frente do palácio Mira Flores e para os manifestantes contra foi....

A mídia trabalhou com apenas uma versão dos fatos, prejudicando a integridade da realidade, um problema não só da Venezuela, mas do Brasil também. O exercício indevido do quarto poder traz problemas sérios para o compromisso que tem com a população. A dos veículos e posta em cheque. O papel de inversão dos acontecimentos no dia das manifestações, onde muitas pessoas ficaram feridas e outras mortas,

Os Estados Unidos tinha grande interesse em derrubar o presidente eleito, usando de diversas artimanhas políticas a fim de garantir seu espaço na exploração de petróleo.

Hugo Chaves um fenômeno de popularidade e com posição política voltada para a esquerda, e buscando como exemplo Fidel Castro e principalmente, Simon Bolívar, o Libertador das Américas, não agradou os grandes interesses estrangeiros. Um pais soberano, que busca uma construção social mais voltada para os pobres não agrada que pensa apenas no lucro.

A mídia enfocou, censurou, mostrou o que lhe interessava diante dos fatos. A pratica da comunicação neste momento n foi distorcida, o que deve ser observado com bastante preocupação.

Hoje em dia, Chaves esta sendo um grande líder na América Latina, influindo na participação política e econômica. O grande problema atual [e de que como esta se voltando para isso. A América Latina vive um momento importante na sua estruturação política e social, porem deve ser observado para que caminhos isso levara. Talvez seja para um neo-populismo, onde o presidente esta acima de toda a corrupção e impunidade ou para uma esquerda que busca mais igualdade e distribuição de renda para todas as camadas sociais.

escrito em julho de 2006

- Sou cada pedaço infernal de mim.


(Clarice Lispector)

- Eu tenho o maior medo desse negócio de ser normal.

(John Lennon)

Thursday, January 12, 2006


O Iluminado e o Tenebroso
O ambiente é sombrio, nele navegam os mais densos significados. Debaixo dos céus da Idade Média o cavaleiro que acaba de voltar das cruzadas, encontra a morte em seu caminho e seu país que devastado pela peste negra. Ele propõe um confronto com a morte num jogo de xadrez. O cavaleiro não aceita a morte sem antes entender o sentido da vida. Se o cavaleiro vencer a angustiante partida conseguirá livrar seus súditos dos horrores do apocalipse.A peste negra invade as casas e o pensamento das pessoas. O fervor religioso impõe julgamentos e inquisições. A escuridão dos ambientes e das personagens é o reflexo do desespero. A amplidão dos espaços dá a sensação de solidão. Os personagens estão realmente sós perante a desolação da morte.No meio dos horrores a peste existe um casal de saltimbancos com um bebê. As imagens são iluminadas, tranqüilas remetendo à família de Nazaré. Um contraste forte quando se dá quando eles estão no palco contracenando uma canção alegre e quando surge um cortejo tenebroso, da igreja carregando consigo as bruxas e os contaminados pela peste que iriam ser queimadas na fogueira da inquisição. Horror nos olhos do palhaço.O filme O Sétimo Selo de Ingmam Bergamam mostra as muitas faces do pecado e do amor, do confronto com a morte, da nebulosidade da vida, nas contradições e contrastes num dos filmes mais brilhantes da história do cinema.

Monday, November 21, 2005

Novembro de 2005 na França

O ano de 1968 foi um ano ímpar. A juventude mundial lutava por um novo pensamento e estilo de vida, criticando o capitalismo selvagem e a sociedade de consumo.
Na França uma greve geral dos trabalhadores explodia e nas ruas os estudantes entravam em confronto com a polícia. “A população aderiu às manifestações sem reservas. Operários, donas-de-casa, escritores, deputados, anarquistas, socialistas, trotskistas e nacionalistas apareciam para discutir e escutar.”
[1]

A crise internacional de 1968 espalhou-se nos quatro cantos do mundo. Os jovens carregavam fotos de Che Guevara e Mao Tse-Tung, discutiam Bakunin, Rosa de Luxemburgo, Marx, Lênin e Trotski. Para eles a imaginação era a única alternativa. Foi à revolução do pensamento, do cotidiano da necessidade de libertação e Paris foi o símbolo dessa possibilidade histórica de realizar o impossível. Foi na França que muitos dos maiores movimentos iniciaram, e a partir deles aconteceram muitas das maiores transformações na cultura e no pensamento humano.
Porém o que começou no ano de 1968 é diferente do que está acontecendo agora.
Em 27 de Outubro de 2005, dois jovens perseguidos pela polícia morreram eletrocutados acidentalmente. Este foi o estopim da onda de violência. O ministro do interior, Nicolas Sarkozy, que é um dos principais alvos do protesto, aplicou a medida de tolerância zero contra a violência. Afirmou que é necessário fazer uma “faxina” para controlar a crise.

No conflito atual, não existe uma ideologia clara por trás da revolta nas ruas e nos subúrbios franceses. O que acontece no país que historicamente sempre defendeu os direitos de “igualdade, liberdade e fraternidade” é a exclusão de milhares de jovens nascidos na França, mas descendentes de africanos e árabes, que são discriminados por questões raciais. É uma xenofobia disfarçada. O quê estes jovens exigem são mais empregos e melhores perspectivas de vida
Para o historiador francês Alexandre Roche, entre os imigrantes existem problemas com tradições e princípios éticos distintos. Esse tipo de relação remete ao colonialismo, que os franceses querem esquecer e os colonizados não esquecem. Carros queimados pelos manifestantes são o reflexo de algo que a França já vê a algum tempo nos finais de semana. “Os jovens muçulmanos tomaram emprestado o instrumento de protesto das noites de sábado. Evidentemente numa escala maior.”

O movimento que ontem nasceu nas elites, hoje nasce na periferia, que é um mundo à parte para a maioria dos parisienses. Em 1968 a população estava reunida contra governo e a favor dos manifestos. Hoje ela desaprova os atos de violência. Esse vandalismo organizado atinge escolas e carros que são incendiados.
Mesmo que nos últimos dias os confrontos estejam perdendo força, existem versões que aludem a uma revolução social em marcha. Em alguns países europeus também ocorreram distúrbios. O presidente Jacques Chirac prometeu integrar melhor os jovens de origem estrangeira e lutar contra o “veneno da discriminação”.
Essas duas juventudes, separadas por quatro décadas, se encontram num ponto em comum. No momento em que se comportam com indignação diante do descaso da sociedade em que vivem que não lhes dá oportunidade e atenção, buscam sair do estatus quo que lhes é imposto pelos sistemas capitalistas. Eles se aproximam, mexem com as estruturas sociais de um modelo de integração falido e promovem o questionamento e a discussão.

Friday, October 21, 2005

"Brasil, ame-o ou deixe-o"

Nos tempos da ditadura militar foram criadas muitas frases célebres que faziam a população acreditar que o Brasil era o país do futuro. Hoje em dia anúncios publicitários financiados pelo governo andam dizendo que o melhor do Brasil é o brasileiro.
Com a CPI, a corrupção e as centenas de decepções ideológicas, bate uma vontade de desbravar outras paragens, sair dessa república de bananas. Apesar de não conhecer o potencial turístico do nosso país, que é mais conhecido por estrangeiros do que por nós mesmos, muita gente acredita que algum outro lugar possa dar condições de um nível de vida melhor.

Muitos já experimentaram na marra esta sensação, durante os tempos da ditadura autoritária no nosso país, o exílio proporcionou a cruel realidade de estar distante.
Naquela época Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Fernando Gabeira, Fernando Henrique Cardoso, José Dirceu, todos estes e muitos outros, por não esconderem suas convicções foram duramente castigados. Mas porque foi um castigo tão grande? Porque eles tinham em suas manifestações fosse na música ou na política, o desejo de construir um lugar melhor para se viver, com liberdade de expressão, e que lhes foi proibida. "é proibido proibir..." Foi tirado um direito: o direito da palavra, de pedir pela paz, de emitir e proclamar o som em multidões aclamadas pedindo basta. E isso é muito revoltante.
Hoje em dia, essas personalidades nos tem decepcionado um pouco. Fernando Henrique Cardoso, aquele estudante cheio de idéias nos anos 60 se transformou-se em sociólogo e num presidente submisso a pressões externas de FMI, etc..

Caetano Veloso deveria ter morrido a alguns anos. Suas idéias sucumbiram a uma espécie de crítica a coisas que não são construtivas. E pensar que ele foi um dos grandes gênios da música brasileira que proporcionou uma verdadeira revolução poética e de conceitos. Para mim, Caetano Veloso morreu, e esqueceram de avisar.
José Dirceu figurinha antipática mas que naqueles anos demonstrava um interesse pelo socialismo, foi exilado em Cuba, inclusive amigo de Fidel Castro, cativando o carisma dos cumunas brasileiros. Hoje em dia, envolvido num dos maiores escândalos de corrupção da história.

Talvez os que menos me decepcionaram tenham sido Fernando Gabeira e Chico Buarque, que continuam polêmicos e produzindo cultura nesse Brasil tão carente disso.
O problema generalizado desse país é que esses exemplos citados acima, hoje não são grandes referencias, tirando Chico é claro. Um dia, já faz um tempo, eles lutavam por um ideal e talvez tenham percebido que a utopia jamais se concretiza, ficando um pouco mais céticos e corruptos. Quanto a Lula nem quero comentar.

Ultimamente prevalece a máxima ame-o ou deixe-o, mas ninguém ama nem deixa, todos ficam sentados observando a demolição de mitos e preferindo ver a novela América. Todos comentam, "mas a crise está feia, ou vai acabar tudo em pizza", mas alguém, realmente alguém, levanta de sua confortável poltrona para fazer acontecer alguma coisa? Será que a democracia não favorece o fortalecimento do comodismo? Pois o exemplo que temos é de que nos momentos de maior repressão e ditadura surgiram os maiores músicos, os melhores livros, os mais intensos protestos e guerrilhas do Brasil. É lógico que não quero, mas temos uma arma fortíssima em nossas mãos, a comunicação, não da mídia, mas a de emails e outros recursos que podem mobilizar e realizar verdadeiras transformações na maneira das pessoas pensarem, mas que ainda não é totalmente segura nem acessível a todos.

Enquanto isso, vou parando por aqui. Está começando a novela e não posso perder esse capítulo.

Tuesday, October 18, 2005

E a cegueira, é da visão?


É estranho e engraçado passar anos e anos na frente de um lugar sem nunca ter reparado. Anos e dias. Todos os dias sem saber. E negando a existência deste lugar, um dia Florbela resolveu entrar naquela loja, mas lembrou-se de um compromisso inadiável: fazer compras no supermercado.
Passaram-se mais alguns anos e Florbela esquecera-se completamente do lugar. Algo parecia impedi-la de conhecer. Muitos falavam da tal loja, mas ela não dava atenção. Estava muito preocupada com o vazio de sua alma.
Florbela passava despercebidamente pela mesma rua de todos os seus infinitos dias, quando resolveu prestar atenção nas coisas que tinham ao seu redor. Parecia ter redescoberto a andar, a ouvir e principalmente a rir. Viu um dia tão claro, uma luz tão bonita, uma velinha que cantava Noel Rosa. Um menino passeava com seu cachorro. Momentos tão simples e tão mágicos. Pelas ruas da velha cidade, Florbela espionava coincidências, que presenciava todos os dias de sua vida, mas jamais havia percebido. De repente, Florbela acordou, dentro daquela loja. Não era um sonho. Foi atropelada por um senhor que atravessava a Avenida João Pessoa de bicicleta. Um senhor muito bem apresentável por sinal.
Ela se levantou um pouco perturbada, cambaleava. A dona da loja, uma senhora argentina muito simpática, a segurou. Sua insignificância, seus dias reclusão e prostração com o mundo pareciam ter acabado. Muitos que estavam ali diante dela, pareciam preocupar-se com sua situação. A cabeça de Florbela sangrava. Um médico foi chamado pela senhora argentina. E Florbela ficou ali, contemplando seu momento de importância, ainda que um pouco trágico. Ela ria o riso dos loucos, dos dementes, ao perceber que naquele lugar onde ao fim de seus quase quarenta anos nunca havia entrado. Aquele era o lugar mais gracioso que havia conhecido. Todos os livros que queria ter lido, todos os vestidos que gostaria de ter usado, todos os discos que jamais encontrou em lugar nenhum do mundo estavam ali, diante de seus olhos. Durante quarenta anos. Quarenta anos!
No dia seguinte Florbela voltou ao lugar, com todas as suas economias de funcionária pública, e comprou tudo, tudo aquilo que jamais tinha ousado olhar, e que, sua cegueira a tinha impedido de ver. Comprou o que o dinheiro permitiu. Jóias antigas, um divã, livros de Clarice Lispector, de arte, vestidos, peles, discos de Billie Holliday. Saiu dali com um plano. Dirigir um filme, ir para Paris e finalmente viver. É engraçado, mas alguns instantes recheados de detalhes podem conduzir pessoas para os mais variados caminhos, como o de Florbela que ao sair da loja encontrou um olhar que a perseguia, coisa que jamais havia acontecido, e foi convidada para tomar um café no mercado público.